quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Fim-de-semana no Minho

Está a fazer um ano que no último fim-de-semana de Fevereiro fomos até Lanhelas, no Minho, bem lá em cima a olhar o Rio Minho e Espanha na outra margem. A autoestrada já vai até à porta da localidade tornando a viagem rápida para quem tem pressa ou os dias contados. E foi um óptimo fim de semana no meio de amigos, paz e verde. Come-se muito bem também! Às vezes sabem bem umas escapadelas destas!

Como ir: A8, A17 e A28 ou A1 e A28 ou Estradas Nacionais (3h30/4horas de viagem pela autoestrada).


Saímos na sexta à noite, parámos para comer qualquer coisa no Loures Shopping e seguimos.

Foram dois carros cada um com 4 pessoas e a viagem fez-se bem apesar do mau tempo à saída de Lisboa.
Fomos ficar a casa de uma amiga e dormimos quentinhos sempre com o rio Minho à vista.
No sábado o pequeno-almoço foi tomado em casa com as compras feitas no dia anterior e pão fresco comprado no momento.



Visitámos a praia de Moledo com o Monte de Santa Tecla no horizonte e o Forte da Ínsua, localizado numa pequena ilha, a cerca de duzentos metros da costa, ao sul da foz do rio Minho, que foi primitivamente utilizada como local de culto. Em época cristã, nela se erguia uma pequena ermida sob a invocação de Nossa Senhora da Ínsua.~


Praia de Moledo
Passeámos junto à costa, embora o tempo não estivesse muito agradável a estar no exterior... E por isso depressa fomos almoçar na Marisqueira Valadares em Caminha.
De tarde, eu e o Zé fomos dar uma volta por Lanhelas, local de passagem de uma das variantes do Caminho Português de Santiago e à noite atravessámos a fronteira e fomos "tapear" ao Candil em Tomiño. Restaurante que recomendo pela boa comida, ambiente agradável e acolhedor e serviço simpático. Os preços não são os mais baratos, mas uma vez por outra vale a pena tratarmo-nos bem. E os petiscos que eles têm são mesmo bons! Há inclusive alguns que não têm carne e que são boas opções se houver alguém vegetariano.

Vista de Lanhelas para o rio Minho

No domingo o dia estava melhor e depois de descansarmos em casa fomos almoçar a Vila Praia de Âncora, ao restaurante Âncora Mar, cujo atendimento e comida são 5 estrelas!
A praia fica próxima portanto o passeio é agradável. No verão deverão haver mais atracções e estar mais convidativo, como é óbvio.

De tarde demos um salto a Vila Nova de Cerveira (as distâncias são curtas de carro). Pelo caminho vêem-se casas apalaçadas, brasonadas e típicos solares minhotos, sinais do poder económico de outros tempos.



Fomos visitar o Cervo, no cimo de um monte. Uma grande escultura em ferro da autoria de José Rodrigues, que pode ser observada cá de baixo mas cuja paisagem vale a pena ser vista.



Dali pudemos fotografar a bonita Ilha dos Amores, uma pequena ilha em forma de coração com cerca de 400 m de comprimento por 100 m de largura, resultante da acumulação dos sedimentos arrastados pelo rio, e sua posterior cobertura por vegetação. A ilha está quase completamente revestida por tufos de árvores (amieiros, salgueiros e acácias). E dá à paisagem um toque romântico!



Muito ficou por ver nesta região a que esperamos voltar com melhor tempo. Sabemos que o património arquitectónico é muito rico, a gastronomia é óptima e a Serra d'Arga com os seus cavalos garranos selvagens era bem ali ao pé.




sábado, 19 de março de 2016

Caminho de Santiago - O que levar na mochila

Estamos quase de partida e que melhor maneira de começar o Dia Internacional da Felicidade senão a iniciar mais um Caminho até Santiago?

O tamanho recomendável da mochila é entre 35 a 40 litros e obviamente as coisas a levar também variam consoante a época do ano e a duração do caminho.
Nós nunca fizemos o caminho por mais de 15 dias portanto o que levamos não varia muito. Da primeira vez lembro-me que levei coisas a mais e isso paga-se com o cansaço e dores musculares ao fim do dia, portanto este é um excelente exercício de desapego e de aprendermos a cingir-nos ao essencial.
Lembrando ainda que há quem leve kit para comer (normalmente os albergues têm loiças e nós nunca nos defrontámos com esse problema. Desta vez optámos por levar um Spork (colher/garfo)) e há quem leve detergente para lavar a roupa (normalmente se precisarmos de o fazer, usamos sabonete das mãos/corpo). Já tive problemas de tornozelos inchados e não tinha medicamentos para o problema, mas é importante não esquecer que não vamos estar assim tão isolados, e facilmente poderemos recorrer à ajuda de outro peregrino ou a uma farmácia.

  • Credencial do peregrino
  • Saco Cama light
  • Bolsa de cintura para por os pertences quando saímos do albergue
  • Impermeável para a mochila e outro light para nós ou poncho com espaço para a mochila (no período de chuvas)
  • Botas confortáveis e impermeáveis
  • Agulha e linha para as bolhas
  • Ligaduras elásticas no caso dos tornozelos incharem
  • Pensos para feridas e bolhas (podem ser comprados posteriormente se necessário)
  • Recipientes de 100ml de shampoo, gel de banho e creme hidratante
  • Escova e pasta de dentes de viagem
  • Pente pequeno
  • Canivete suíço com pinça, faca, caneta, tesoura e lima
  • Lanterna pequena (opcional. Os telemóveis já têm isso)
  • Paracetamol, anti-inflamatórios e repelente (no verão)
  • Corta-unhas
  • 1 rolo de papel higiénico
  • Desodorizante
  • Lenços de papel ou preferencialmente de pano
  • 2 Camisolas polares para vestir juntas e substituir o casaco ou 1 Casaco impermeável com interior polar separável (inverno)
  • Meias de caminhada sem costuras q.b.
  • Roupa interior q.b. (pode levar-se só dois pares e ir lavando)
  • 1 a 2 t-shirts ou camisolas de alças (depende da época)
  • 1 long sleeve
  • 1 par de calças de caminhada que sequem rápido ou calças impermeáveis
  • Toalha de banho pequena e de secagem rápida (microfibra)
  • Fato de banho (no verão dá jeito para nos banharmos nos rios e praias)
  • Chinelos ou sandálias para o banho e para calçar no albergue
  • Chapéu, gorro ou lenço (depende da época)
  • Luvas (inverno)

Coisas do Zé

No caso feminino levei também:
  • Calças leves para dormir e caminhar (no verão opto só pelas leggings e não levo outras calças)
  • T-shirt ou polar para dormir (depende da época)
  • Creme hidratante para cara e lábios
Coisas da Susana
Artigos opcionais de gostos pessoais:

Eu levo:
  • Máquina fotográfica Canon 7D com objectiva Canon 50mm e grande angular Sigma 10-20mm f/4.5. A objectiva extra guardo na mochila e a máquina tem uma bolsa protectora em poliéster para andar à tiracolo;
  • 2 baterias para a máquina (optei por não levar o carregador);
  • Caderno de notas e caneta;
  • Carregador do telemóvel;
  • Livro digital no telemóvel.


O Zé leva:
  • Caderno/Diário gráfico, caixa de aguarelas, pincel de água e materiais riscadores a gosto (neste caso, como quero levar o menos possível e a caixa de aguarelas pesa um pouco, decidi levar 1 caneta preta resistente à água, espessura 01, para os desenhos em que uso aguarela, 1 caneta preta pilot 0.25 para os desenhos em que sei que não vou usar aguarela e 1 caneta 01 sepia resistente à água que quero explorar em mais desenhos;
  • 2 molas para prender as folhas no caderno;
  • Telemóvel para a eventual foto e registo das etapas do caminho;
  • Boina de cortiça que dá para o sol e para a chuva miudinha.
  • Livro digital no telemóvel.



Comida que levamos sempre connosco: Maçãs para o dia (vão-se comprando mais depois), água de 1 litro, galetes de milho, barras energéticas de chocolate preto da área viva do Continente, mix de frutos secos.

Importante: Durante o caminho fazer o mínimo lixo possível e não deitar nada para o chão!

quinta-feira, 3 de março de 2016

A Casa da Cerca

Há umas semanas passámos pela Casa da Cerca em Almada para conhecer o espaço e encontrar amigos. O dia fez-se feio e chuvoso. Estava muito vento e frio e por isso não convidou a ficarmos no jardim muito tempo... Mas deu para umas rápidas fotos e um desenho e para perceber que o espaço é muito agradável, com uma maravilhosa vista para Lisboa e um café com coisas de encher os olhos (e a boca!), atendimento simpático e uma esplanada óptima em dias de sol.
Vista da Casa da Cerca. 
Como Centro de Arte Contemporânea, é também um centro de investigação e divulgação de arte onde se organizam exposições e actividades.
Estacionamento fácil nas proximidades e sinalização para a Casa tornam o acesso simples, mas nada melhor que colocar no Google Maps, já que hoje em dia podemos fazê-lo! 

Pode acompanhar-se a agenda e as novidades aqui: Casa da Cerca



Zé a desenhar

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ruas Floridas 2015

Entre 1 a 9 de Agosto de 2015 decorreram as Ruas Floridas no Redondo e nós fomos visitar esta festa cheia de cor! Se este ano houver de novo este evento, fica aqui o gostinho para que possam ir visitar o Redondo.
A festa das Ruas Floridas é completamente ao ar livre pelo que é um evento ao qual os cães podem aceder. Nós levámos o Sputnik connosco, sempre com a trela por causa das outras pessoas. Comemos em esplanadas e dormimos em casa de família que vive perto, mas o Redondo é uma localidade a que se pode chegar em menos de 2h de Lisboa, portanto este pode ser um programa de um dia, se houver forças e vontade para isso!



"As Ruas Floridas são um evento bienal de base popular, cuja tradição remonta ao século XIX e consiste na decoração das ruas da vila de Redondo com flores e outros objectos elaborados em papel colorido. Os residentes de cada rua organizam-se e escolhem um tema, cabendo a coordenação geral ao Município de Redondo."



"​No corrupio de gente atarefada, no entrar e sair de casas e casões, no constante frenesim que dura meses sente-se a corrente eletrificante destes percursos que só a noite sabiamente acalma, retomando pela fresquidão da manhã o seu vigor. Os "cabeças" e as suas gentes entre noites mal dormidas e a falta de apetite sonham com o dia seguinte entre pequenos mas reconfortantes descansos...




Mas nas ruas é mesmo assim, e durante esses meses o olfato reduz-se ao intenso odor das colas, os olhos vidrados não enxergam mais do que as resmas e rolos de papel, e tudo quanto é dado ouvir é o experimentado e monocórdico lamento das tesouras, assaltado por breves instantes num resmalhar de papel de uma qualquer rosa que acabou de florir.




A azáfama é extenuante, o desejo de tudo estar graciosamente composto para as festas recompõe e domina sentimentos e só nesta resiliência que lhe conhecemos poderemos encontrar a natural explicação para esta cruzada.



Este mesmo espirito de entrega foi reconhecido com a distinção Iniciativa Turismo do Alentejo 2013, no âmbito da quarta edição dos Prémios Turismo do Alentejo, e com a atribuição do Prémio Evento Público 2013, no seguimento da Gala dos Eventos de 2014, como um justo elogio à vontade dedicação e amor que a população deposita, desde há gerações, na construção deste magnifico certame."

in http://www.cm-redondo.pt/pt/site-acontece/Eventos/Paginas/Ruas-Floridas-2015.aspx

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A felicidade está nos actos

Apesar de ser uma matéria em que penso que muitos poucos possam dizer que são peritos, pois a felicidade não tende a ser algo constante e da teoria à prática vai sempre uma grande diferença.
Há pequenas coisas que nós próprios sabemos que ajuda a estarmos bem, começando pelo facto de termos de parar de procurar a felicidade constante ou olhá-la como algo inatingível.

Viajar é um acto de felicidade para muitos, mas para tantas outras pessoas, há muito mais que nos pode fazer feliz. O que nós defendemos é a procura e a persistência pelo que nos faz bem! Aprender a olhar a vida e vivê-la enquanto cá estamos.  A felicidade está nos actos, aprendi-o há algum tempo atrás. Não está em palavras e promessas e acções que partem só da boca dos outros e de nós próprios. Se olharmos mais para as nossas acções e para as dos que nos querem bem, valem mais do que mil palavras.
O segredo para estarmos bem parte de 3 coisas simples: ouvirmo-nos mais, estarmos com as pessoas que gostamos e nos fazem felizes e dedicarmos mais tempo ao que gostamos, sem pensar muito no resto.

O acto de ser optimista pode-se trabalhar com força mental de vermos as coisas pelo outro lado. E isso leva-nos a acreditarmos sempre que conseguimos fazer o que queremos. Porque conseguimos. Se o quisermos mesmo.

Sorri. O ato de sorrir – sozinho, com amigos ou família – tem uma grande influência no humor e energia das pessoas.

Abre as cortinas e deixa a luz entrar: Os raios solares podem influenciar positivamente a tua vida e o humor.

Sai de casa. Apanhar ar, fazer actividades. O contacto com a Natureza ajudam sim.

Come mais verdes: Para além de fazerem bem à saúde, um estudo revela que alimentos como os espinafres e a couve são importantes para a saúde mental. O segredo está no ácido fólico presente nestes alimentos que segundo alguns especialistas reduz o risco de depressão.

Melhora a tua alimentação. Deixar certos alimentos que carregam dioxinas, químicos e outros produtos, influenciam sempre a nossa saúde e o nosso bem-estar. Carnes vermelhas, lacticínios, açúcar, alimentos processados já seria bom deixar para começar. E parece mais difícil do que é :)

Exercício físico: Diversos estudos revelam que a prática desportiva influencia positivamente o humor e disposição das pessoas. Isto deve-se às endorfinas que o nosso corpo liberta durante a atividade física.

Brinca com o teu animal de estimação. Dedica mais tempo a coisas que parecem não ter importância.

Faz mais pausas. É bom pararmos com todo o ritmo frenético à nossa volta, largarmos comunicações e passarmos mais tempo connosco. Aprender a fazer isso é a chave para estarmos bem também com os outros.

Chocolate preto 70% e sem açúcar: O chocolate contém triptófano que aumenta a produção de serotonina no cérebro humano, levando a uma maior sensação de felicidade. Um quadradinho não faz mal a ninguém.

Para tudo na vida, no meio e na moderação está a virtude!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Pelo Douro Vinhateiro

Decidimos ir de fim-de-semana com um grupo de caminheiros (Caminhos com Carisma) e conhecer o Alto Douro Vinhateiro de uma forma diferente: a caminhar!
No final, revelou-se uma óptima decisão e uma boa experiência. A caminhar podemos observar tudo com mais calma e pormenor, podemos sentir cheiros, observar as cores, ouvir o silêncio no vale, parar e respirar!
 Região Vinhateira do Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área do nordeste de Portugal com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, em 14 de Dezembro de 2001, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural e rodeada de montanhas que lhe dão características muito particulares.
Esta região, que produz vinho há mais de 2000 anos, entre os quais, o mundialmente célebre vinho do Porto, merece realmente uma visita pela extraordinária beleza paisagística, sempre com o rio Douro como fundo, e para apreciação do maravilhoso trabalho humano com as vinhas pormenorizadamente alinhadas, fazendo desenhos geométricos ao longo das colinas.
Lá em baixo, no rio, os barcos passam e de vez em quando, o comboio interrompe o silêncio para nos lembrar do quão bonita deverá ser aquela viagem por túneis nas encostas e sempre junto ao rio. É uma paisagem romântica que no Outono se valoriza com as cores alaranjadas e vermelhas típicas da época, e com as nuvens baixas que, por vezes, cobrem as encostas e lhes dá um misticismo fotogénico.
Zé a partir amêndoas

Da natureza pudemos colher maçãs, marmelos, amêndoas, uvas, e apanhámos alguma chuva, que de vez em quando, não faz mal a ninguém. Gosto de a sentir, quando não é demasiada, faz-me simplificar tudo e não me importar com demasiada coisa a não ser caminhar e apreciar!
Em jeito de síntese, começámos a viagem fazendo Lisboa-Lamego, onde dormimos, para no dia seguinte seguirmos cedo para a vila do Pinhão.
Um dos painéis de azulejos do Pinhão
estação dos caminhos de ferro do Pinhão é conhecida pelos seus 24 painéis de azulejos, que retratam paisagens do Douro e aspectos das vindimasO caminho de ferro foi um dos motores de desenvolvimento do Pinhão, e foi por isso, a primeira freguesia do distrito de Vila Real a ter telefone, correio permanente, água canalizada e Casa do Povo.
Depois de deixarmos as coisas no hotel, seguimos para Ervedosa do Douro onde fizemos o percurso pedestre “Rota das Vinhas” de sensivelmente 17 km. Pelo percurso, corremos as vinhas, vemos o rio à espreita e vamos aos "ésses" entrando pela paisagem, observando as cores mudar e descendo até à Quinta de S. José, que visitámos, e onde ouvimos a explicação do actual enólogo e dono da propriedade, saboreando 3 dos seus vinhos aos quais ficámos rendidos pelo sabor realmente distinto do Vinho do Porto a que estávamos habituados. Subida de volta a Ervedosa e jantar pelo Pinhão.
Ervedosa do Douro
No dia seguinte, percurso pela Quinta das Carvalhas, localizada do outro lado da Ponte que nos leva ao Pinhão. Cerca de 10 km a percorrer uma propriedade única e antiga, desde a década de 1950 pertença da Real Companhia Velha.
Quinta das Carvalhas
Fomos acompanhados por um Engenheiro Agrónomo que deixava transparecer o seu gosto pelo trabalho e pela terra onde vive. Ama cada planta, conhece-as e respeita-as. Conta-nos os seus segredos e é impossível não sairmos de lá mais sensibilizados para com a Natureza e com aquilo que magnificamente nos pode dar.

"Visitar a Quinta das Carvalhas é ver o Douro por dentro – com os trabalhos da vinha (como a poda, a escava ou a vindima), a apanha da azeitona ou a reconstrução dos tradicionais muros de xisto – e os melhores ângulos da sua paisagem. É ver vinhas com mais de 80 anos e encostas com 70 graus de declive; é admirar os rios Douro e Torto; é desfrutar de fauna e da flora em simbiose: pela Quinta das Carvalhas, para além de vinha, estão espalhadas zonas de mata, floresta, olival e jardins, construídos com pedras de granito antigas e esteiros de xisto e onde foram plantadas várias espécies de flores, plantas e ervas aromáticas."
No final da visita, houve nova prova de vinho e depois seguiu-se um passeio, pelo Douro, em barco rabelo para montante em direção à foz do rio Tua. Através de um áudio-guia, foram-se avistando outras quintas vinhateiras com casas de sonho, isoladas nas encostas, socalcos até ao rio e vinhedos. Passámos a Quinta dos Alvedos (onde se filmou a parte final do flme português "A Gaiola Dourada") e foi-nos oferecido vinho da Quinta do Portal.
Santuário da Nossa Senhora dos Remédios - Lamego
Comboio no vale do Douro
A chuva chegou para anunciar o regresso a Lisboa, mas nós ainda voltámos a Lamego para lanchar e para subir os 613 degraus do Santuário da Nossa Senhora dos Remédios. Lamego é muito bonita, considerada uma cidade histórica e monumental, pois possui uma grande quantidade de monumentos, igrejas e casas brasonadas, o que a faz ter um bonito centro histórico. 
Vale a pena pensar seriamente numa visita a esta zona!
Curiosidades:
"Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), mais conhecido por Marquês de Pombal, viria a mudar a situação económica da região, ao criar a primeira região vitícola regulamentada do mundo, demarcando o Douro Vinhateiro (1757-1761), através da colocação de grandes marcos de granito, no terreno, com a palavra “Feitoria”. 
A paisagem atual da região do Douro, caracterizada pelos socalcos, foi construída durante a década de 70, com a aplicação de novas técnicas de plantio da vinha, em patamares, com muros de xisto a delimitar cada nível. Esta alteração da paisagem pela atividade humana, contribuiu para que o Alto Douro Vinhateiro fosse considerado Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, em 2001."

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Fim-de-semana por Porto Covo

Há fins de semana que sabem a 2 semanas de férias de tão intensos que são.
Chegamos a domingo com uma sensação de alma cheia e satisfação. Segunda-feira ainda me sentia em férias! Porto Covo foi isso mesmo.

Partimos sexta à noite depois do trabalho e depois de deixarmos escoar o trânsito da ponte 25 de Abril. Seguimos pelas estradas nacionais assim que pudemos e chegámos já depois da meia-noite a S. Teutónio, onde uns amigos tinham alugado uma casa para a semana.
Uma casa enorme, rodeada de silêncio, que encontraram para alugar na net.


Sábado deixou-se a casa e seguiu-se para Porto Covo, para um belo dia de praia.
Para dormir, como não fizemos planos, estacionámos o carro junto a uma praia com acesso por um caminho de terra batida aos altos e baixos e cujo parque de estacionamento tinha apenas uma auto-caravana. 
Adormecemos a ouvir o mar e acordámos com a Ilha do Pessegueiro no horizonte.
Praia do Queimado com a Ilha do Pessegueiro ao fundo
Local de pernoita
É uma maravilhosa sensação de liberdade podermos dormir com vista privilegiada para o Oceano e escolhermos onde ficar. Desde que se tenha sempre em atenção deixar o lugar onde estivemos como o encontrámos.


Junto ao local onde estávamos estacionados passava a Rota Vicentina, "uma rede de percursos pedestres no Sw de Portugal, totalizando 400 km para caminhar, ao longo de uma das mais belas e bem preservadas zonas costeiras do sul da Europa."
Com um pouco de pesquisa verificámos que o Trilho dos Pescadores (que faz parte da rede de percursos da Rota Vicentina) passa por Porto Covo na etapa Porto Covo - Vila Nova de Mil Fontes.
"Esta é a etapa das praias, em que irá caminhar ao longo dos extensos areais das praias da Ilha do Pessegueiro, Aivados e Malhão e ainda descobrir pequenas enseadas desertas que o irão surpreender. É no entanto um percurso cansativo, dada a sua extensão e o piso sempre de areia."
Parece algo a experimentar futuramente!


O domingo chamou-nos para um pequeno-almoço nos croissants de Porto Covo e depois de uma manhã de preguiça, seguimos mais para Norte para S. Torpes, onde vimos o Sol despedir-se de um óptimo dia. 

Porto Covo
S. Torpes ao fim do dia
Comemos qualquer coisa num dos restaurantes junto à praia e foi tempo de seguir para Lisboa na companhia da Super Lua que tornava a noite mais clara.

O Verão deixa-nos leves e essa sensação permanece em nós para o início da semana. 
Tão bom!
Regresso a Lisboa
Fotos de Susana Gasalho ©Todos os Direitos Reservados. Tiradas com o telemóvel.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pelos caminhos das Lagoas de Santo André e da Sancha

No Verão, e depois da minha operação, quisemos mudar de ares e apanhar um bocadinho de sol. Assim uma coisa tranquila! Então pegámos na tralha essencial para nos pormos a andar e podermos ficar a dormir em qualquer lado, e fizemo-nos à estrada sem destino.
Quando já era tarde e, como tínhamos o cão connosco e não nos apetecia dormir no carro apertados, resolvemos ver se o parque de campismo ali perto ainda nos aceitava.
Fomos parar ao tranquilo parque de campismo de Santo André, que nos aceitou a nós e ao cão! Fizemos a tenda às escuras e fomos dar uma volta de reconhecimento.
Campismo de Sto. André
Acabámos por ficar "sediados" ali nos dias todos que ficámos pela costa alentejana pois o sítio agradou-nos, o cão estava tranquilo (normalmente tem medo de pessoas) e a praia da Lagoa de Santo André era ideal para estarmos sossegados e para o cão ir à água e andar também ele tranquilo.

Sputnik na praia da Lagoa de Sto. André
Lagoa de Sto. André
Sketching @ Lagoa de Sto. André

Lagoa de Sto. André
Procurávamos ir sempre para junto da lagoa mas afastados das pessoas que se colocam logo à entrada da praia e o local revelou-se óptimo para descansarmos e comermos umas bolas de Berlim maravilhosas, servidas mesmo à beira-mar!
Senhora das bolas de Berlim
Na lagoa pode-se fazer kyte surf e nadar sem as ondas fortes que se sentiam no oceano, ali ao lado.
Lagoa de Sto. André

Para além disso, estar ali permitiu-nos poder fazer percursos de horas pela zona de Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha. 

Ao longo da lagoa é possível fazer um pequeno percurso e observar as aves migratórias que ali repousam. Por aquela altura do ano conseguimos ver imensos flamingos graciosos!

Esta é uma das mais importantes características atribuídas a esta Área Protegida, pois é um local de passagem de aves migradoras, sendo que a Lagoa da Sancha também é local de nidificação de diversas espécies.
Ao longo da Lagoa de Sto André abre-se um novo mundo!
Quando os dias estavam cinzentos, procurávamos percursos no guia "Percursos, Paisagens & Habitats de Portugal" do ICN, que nos costuma acompanhar,e quando tentávamos encontrar a Lagoa da Sancha fizemos outras paragens nas Areias Brancas (já a caminho de Sines) e descobrimos a Praia do Porto das Carretas. Onde há um percurso pedestre sinalizado para observação dos poços do Barbarroxa, alimentados por aquíferos subterrâneos. Todos eles estavam cobertos de vegetação palustre.

Por trás das árvores, um dos poços observados
Numa das placas no caminho podia ler-se: "A presença de uma série de poços (depressões húmidas intradunares) constitui uma prova da existência de antigos braços na Lagoa. Os braços da Lagoa, ao longo do tempo, vão sofrendo assoreamento, resultado de carreamentos sucessivos de detritos que se vão acumulando e vão ficando separados da Lagoa Central.
Estes poços, ricos em vegetação palustre, constituem um local de refúgio e nidificação para algumas das espécies que ocorrem a nível de lagoa."


Pelo percurso...
Ao longo da estrada para Sines, há alguns caminhos de terra por onde nos aventurámos e descobrimos outras praias, como a Praia da Fonte do Cortiço, com vigilância e bandeira azul e apenas 3 ou 4 auto-caravanas de pessoal estrangeiro. 
Eu e o Sputnik
Novo dia. À segunda tentativa conseguimos encontrar o escondido e de difícil acesso caminho de terra batida para a Lagoa da Sancha. Coberta de caniço e rodeada de vegetação palustre e de um verde que contrasta com a faixa de praia mesmo ao lado e que se perde no horizonte, é um local magnífico para se parar a contemplar por uns momentos. 
A paisagem é intocada e pode observar-se claramente a passagem da duna branca, para a duna cinzenta e depois para a duna verde. Uma verdadeira aula de geografia ao vivo! Pena as chaminés industriais ao fundo...

Marco geodésico - Lagoa da Sancha
Há muitos sítios em Portugal onde nos podemos sentir únicos.
Estamos a sós e por momentos podemos sentir que fomos os únicos a chegar ali. Neste caso, sentados no marco geodésico da Caracola e olhando a imensidão de costa de areia branca e praticamente intocada, lembro-me de tantos outros sítios onde estivemos e pudemos ouvir a natureza.
Quando entro numa paisagem sem vestígios de curiosos barulhentos e com poucas regras de convivência, civismo e higiene ambiental, uma paisagem protegida com pouca informação e de acesso complicado, sinto-me a observar um tesouro único. Melhor do que qualquer monumento, museu ou objecto valioso. Enche-me o coração e o espírito!


No dia do regresso a Lisboa ainda parámos na Lagoa de Melides para o pôr do sol. Pareceu-nos também um local bastante agradável, e também com parque de campismo. Talvez um pouco mais movimentado e com mais vida a nível de restaurantes e juventude que na lagoa de Santo André.

Lagoa de Melides



Fotos de Susana Gasalho ©Todos os Direitos Reservados. Tiradas com o telemóvel.


Para saber mais sobre esta zona de Reserva Natural: ICNF
Alguns percursos pedestres: aqui